As contas de Centeno – compilação

Já escrevi bastante sobre as propostas do cenário macroeconómico do PS. Em Maio, quando foi apresentado, elogiei duas das medidas (I, II, III), que me pareceram particularmente arrojadas, mas também torci um pouco o nariz relativamente aos impactos orçamentais anunciados.

Infelizmente, e uma vez que o cenário era parco em informações, não foi possível ir muito além deste gut feeling, e tive de me limitar a constatar que a mecânica económica implícita ao exercício, segundo a qual é possível associar medidas de estímulo económico a um défice orçamental mais baixo, era altamente implausível1.

Entretanto, o grupo de economistas do PS divulgou uma versão mais alargada do seu cenário macroeconómico, com mais medidas e informações mais detalhadas. A má notícia é que os detalhes do modelo continuam por conhecer, e há pormenores do exercício que não são completamente claros. A boa notícia é que os números divulgados já permitem perceber um pouco melhor o que vai na cabeça (ou no excel) dos economistas e pelo menos fazer algumas contas de costas envelope.

É isso que esta série de posts tenta fazer. Para tornar a série compreensível – e não assustar os leitores com menos tempo -, a análise é separada em quatro partes.

A primeira elenca algumas questões de base relacionadas com a quantificação das medidas (os inputs do exercício, chamemos-lhe assim). São sobretudo números que não batem certo, dúvidas em relação às opções tomadas e perplexidades diversas que foram surgindo à medida que comecei a compilar e contrastar valores. A segunda e a terceira tentam perceber em que medida é que os impactos na actividade económica e no emprego são realistas. E a quarta faz um pequeno exercício de riscos orçamentais:

I Dúvidas e alguns números

II O modelo e o PIB

III O modelo e o emprego

IV Riscos para as finanças públicas 

1 Chamemos-lhe a doutrina do despesismo economizante. Segundo esta ideia, o multiplicador é tão grande que estímulos económicos se pagam a si mesmos. No fundo, inverte-se a lógica da teoria da austeridade expansionista, de acordo com a qual a consolidação orçamental pode gerar efeitos de feedback tão positivos na confiança das famílias e empresas que ela acaba por expandir, em vez de contrair, a actividade económica. Mas, apesar de a lógica ser inversa, a plausibilidade é a mesma (sobre isso, ver este posteste post e este estudo).
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2 comments on “As contas de Centeno – compilação

  1. André Vaz diz:

    Pedro, excelente trabalho, muito obrigado pela lucidez e tentativa (ganha) de simplificação.

    Keep it up

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  2. JL diz:

    Não sei se isto (https://www.google.pt/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#newwindow=1&tbm=nws&q=antonio+costa+promete) está incluído nessas contas… mas ainda a procissão não saiu da igreja…

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