Robôs, produtividade e pontas soltas

Num post anterior acerca dos robôs-que-nos-roubam-empregos notei os sinais contraditórios que recebemos de fontes diferentes. Por um lado, os media (e a experiência pessoal, convenhamos) sugerem que vivemos numa época de inovação tecnológica extraordinária. Por outro lado, as estatísticas agregadas mostram que a produtividade está pelas ruas da amargura.

Será que uma impressão está correcta e a outra está errada? Ou há alguma coisa a escapar-nos, e a contradição é mais aparente do que real? Eu diria que há pelo menos três explicações possíveis.

A explicação mais trivial é que há um delay considerável entre o momento em que as inovações são descobertas e o momento em que são incorporadas nos processos produtivos. Há inúmeros exemplos retirados da Revolução Industrial, mas o meu favorito é a afirmação de Robert Solow, de que “podemos encontrar computadores em todo o lado, excepto nas estatísticas da produtividade”. Poucos anos após pôr meio mundo a discutir o verdadeiro impacto das tecnologias de informação (1987), o alerta revelou-se extemporâneo. A produtividade disparou nos anos 90 e os estudos subsequentes mostraram que isto se devia em parte… às tecnologias de informação.

Se o passado serve para iluminar o futuro, então talvez os robôs sejam mesmo para levar a sério. Talvez seja só uma questão de tempo até que os protótipos passem das capas da Wired, onde fazem manchetes mas (ainda) não produzem, para os lares das famílias e linhas de montagem das empresas. Se for este o caso, então talvez o desemprego tecnológico – transitório, mas real – seja uma possibilidade séria nos próximos 10 ou 20 anos.

Uma segunda explicação é que podemos estar apenas a medir mal o crescimento do PIB – e, consequentemente, temos uma ideia incorrecta da produtividade.

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Robôs a roubar empregos

Este é um daqueles post guardados como draft há algum tempo. A ideia era publicar alguma coisa durante a Web Summit, mas acabei por não ter tempo. Felizmente, o Observador fez-me o favor de manter o tema vivo:

Os robôs vão ajudar-nos a mudar o mundo. E vão roubar os nossos empregos: O Fórum Económico Mundial prevê que, até 2020, desapareçam cinco milhões de empregos nos quinze países mais desenvolvidos do mundo por causa da evolução da robótica e da inteligência artificial. Segundo o estudo, divulgado no início deste ano na Conferência de Davos, os setores da saúde, energético e financeiro serão os mais afetados, mas também haverá perdas de trabalho consideráveis na construção, na extração de recursos e no setor das artes e do entretenimento.

Vamos supor que há de facto uma legião de robôs capazes de fazer tão bem ou melhor o trabalho que hoje é feito por seres humanos. Este é um grande ‘se’, como veremos daqui a pouco. Mas mesmo assumindo a premissa como verdadeira não é óbvio em que é que isto difere dos processos de mecanização e automatização que estão em curso há… enfim, há vários séculos. Trocar mão-de-obra por maquinaria é o que tem acontecido nas economias desenvolvidas pelo menos desde a Revolução Industrial.

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