A Comissão converte-se

Nos últimos anos houve uma grande discussão em torno da crise do euro. De um lado do debate estavam os que defendiam a – chamemos-lhe assim – interpretação orçamental da crise: alguns Estados endividaram-se mais do que deviam, o cartão de crédito chegou ao fim a partir de 2010 e daí em diante foi preciso apertar o cinto.

Do outro lado estavam vários economistas para quem a crise tinha sido sobretudo um problema de desequilíbrios externos, provocados por enormes fluxos de capitais. Estes fluxos misturaram-se com mais dois ou três ingredientes – a ligação umbilical entre bancos e Estados, a ausência de um Banco Central capaz de (e disponível para) travar pânicos financeiros , etc.-, causando uma tempestade perfeita na Zona Euro.

Esta segunda perspectiva começou por ser chamada de “narrativa alternativa” da crise do euro. Mais recentemente, o epíteto mudou. Hoje chamam-lhe – por boas razões – a “narrativa consensual” da crise. E na semana passada houve mais um peso pesado a juntar-se a este consenso. Nada mais, nada menos, do que a própria Comissão Europeia.

A broad narrative is now emerging from the economic literature on the causes of the euro area debt crisis and therefore of these asymmetries in the transmission of the global financial crisis.  The narrative, which is relatively consensual among academic economists if not among policy makers, involves both country-specific vulnerabilities and euro area-specific shock amplifiers (…)

Asymmetries in the impact of the global financial crisis across Member States reflect large differences in shock exposure among countries. In particular, external exposure (as measured by the current account or net foreign assets) is closely correlated with the cyclical shock incurred by Member States. The countries of the periphery or in the Baltics which had accumulated large current account deficits before the crisis also incurred the biggest cyclical shock in the crisis (…)

The strong asymmetry in the transmission of the global financial crisis within the euro area and the related sudden stops in private capital flows, reflect the joint effect of vulnerabilities accumulated in pre-crisis years and of euro area-specific shock amplifiers. Two shock amplifiers have been particularly harmful: the harmful, self-reinforcing mutual dependence between banks and sovereigns and the existence of self-fulfilling equilibria.

Vão lá ler tudo, que vale a pena.

 

Anúncios

2 comments on “A Comissão converte-se

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s