Política orçamental: um resumo das lições da crise

O gráfico de Jason Furman acerca da descida das taxas de juro é importante (ver post anterior),  mas é só uma pequeníssima parte de uma excelente apresentação que está disponível no site da Casa Branca.

A apresentação é muito simples e resume, em menos de 15 páginas, praticamente todas as novidades que foram sendo descobertas ao longo dos últimos cinco ou seis anos no domínio da política orçamental. A conclusão do autor, com que eu concordo de alma e coração (sigam a tag correspondente e percebem porquê), é que aprendemos muita, muita coisa. E que em muitos domínios as conclusões a que se chegou divergem de forma substancial daquilo que se tomava como quase certo há uns 15 anos.

Qual é o impacto da política orçamental no crescimento a curto prazo? Em que circunstâncias pode um investimento pagar-se a si mesmo? Em que medida é que a estabilização macroeconómica pode ficar nas mãos do Banco Central, sem apoio do Tesouro? Quanta dívida pública consegue um país suportar antes de começarem a acontecer coisas feias? Para muitas destas questões a resposta informada, hoje em dia, é diferente da que prevalecia antes da crise. Para ler o resumo basta puxar pela aba de baixo.

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Perceber o Nobel de 2016

Infelizmente, o Nobel não foi exactamente para quem eu gostaria que tivesse ido. Os vencedores acabaram por ser Oliver Hart e Bengt Holmstrom, pelos seus contributos para a teoria dos contratos.

Eu tenho uma ideia do que é a teoria dos contratos, mas confesso que nem conhecia estes dois, tal como também não conhecia os vencedores de 2007 ou de 2012 – e do Jean Tirole, enfim, ‘já tinha ouvido falar’. Talvez a economia esteja a entrar rapidamente no território dos rendimentos marginais decrescentes, e a notoriedade dos vencedores acabe por reflectir isso mesmo. Ou talvez seja só de mim, que não ligo muito à microeconomia.

Em todo o caso, e para quem quer saber por que é que o Nobel foi para quem foi, o Economist’s view tem hoje uma excelente compilação de textos acerca do trabalho de Hart e Holmstrom. Há dois especialmente interessantes: o de Noah Smith, na Bloomberg – An Economics Nobel for examining reality – e The performance pay Nobel, no Marginal Revolution. Que explica de maneira simples o que é que tudo isto significa e de que forma é que a investigação de Hart e Holmstrom se liga a um dos grandes temas do nosso tempo: a remuneração dos CEO.

Holmstrom’s work has lot of implications for structuring executive pay. In particular, executive pay often violates the informativeness principle. In rewarding the CEO of Ford for example, an obvious piece of information that should used in addition to the price of Ford stock is the price of GM, Toyota and Chrysler stock. If the stock of most of the automaker’s is up then you should reward the CEO of Ford less because most of the gain in Ford is probably due to the economy wide factor rather than to the efforts Ford’s CEO. For the same reasons, if GM, Toyota, and Chrysler are down but Ford is down less then you might give the Ford CEO a large bonus even though Ford’s stock price is down. Oddly, however, performance pay for executives rarely works like a tournament. As a result, CEOs are often paid based on noise.

The basic framework has since been applied in many different circumstances because principal-agent can be interpreted in many different ways employer-worker, teacher-student, regulator-banker and so forth. Thus the basic insights have been reflected in a wealth of applications each of which adds to the body of theory.