Desemprego: no meio do ruído há qualquer coisa a mexer

Os leitores mais atentos lembrar-se-ão certamente de que há coisa de cinco uns meses houve um burburinho razoável por causa da aparente travagem da descida do desemprego. Em Fevereiro, por exemplo, a taxa de desemprego já levava sete meses de subida contínua. Escreviam-se coisas como:

(…) o INE aponta para o desemprego a saltar duas décimas para 12,3% em Fevereiro. Como se isto não bastasse, nos primeiros dois meses são destruídos 20 mil empregos, acima do reforço do desemprego, e mostrando que o ciclo da emigração/ inactividade está para durar. As notícias não são apenas más. São péssimas.

Mas quem não padecia do problema mais recorrente da análise de conjuntura – começar e a acabar a análise num único trimestre e confundir ruído com tendências – percebia que a) subidas do desemprego durante cinco ou seis meses são habituais no segundo semestre do ano; b) o fim de uma série de programas ocupacionais, contabilizados como emprego nos inquéritos do INE, introduzia um enviesamento negativo que puxava o desemprego para cima.

Alargando a série temporal para eliminar o primeiro problema, e retirando os programas ocupacionais das estatísticas para ultrapassar o segundo, o resultado parecia até ser bastante positivo. “O emprego está a cair desde Julho do ano passado, mas a quebra até é muito menor do que o habitual: em 2013 e 2014, por esta altura, o número de postos de trabalho criados já tinha sido (quase) reduzido a zero”.

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A quebra no emprego de 2015 era ligeiramente mais prolongada do que a de 2013 e 2014, mas também era bastante menos aguda (em número de postos de trabalho). Se o passado era um guia fiável para antecipar o futuro, o emprego devia “crescer de forma robusta a partir de Março”.

E portanto eu confesso que engoli um pouco em seco quando o INE, primeiro em Março e depois em Abril, mostrou que o nível de emprego mal tinha mexido relativamente ao mês anterior. Ooops?

Felizmente, não. Os dados publicados ontem pelo INE incluem uma forte revisão em alta de valores passados. E, de acordo com a série agora disponível – é por estas e por outras que eu prefiro seguir apenas os valores trimestrais -, o emprego continua em expansão.

aa

Ufa. O sinal de alarme não se confirmou, o que me dá a oportunidade de interromper a letargia deste blogue com um dos post altamente self-congratulatory.

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One comment on “Desemprego: no meio do ruído há qualquer coisa a mexer

  1. Leo diz:

    do.od congrats!

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