Desvio Colossal

A trágica fortuna dos licenciados*

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O Expresso deste fim-de-semana (versão impressa, sem link) tinha uma notícia acerca da evolução dos salários ao longo dos últimos anos. A conclusão era que as remunerações líquidas dos licenciados foram as que mais caíram – 9,4% entre 2011 e 2014, contra 3,4% (ensino secundário) e 1,8% (ensino básico).

É fácil concluir, a partir destes números, que ter uma licenciatura conta pouco no mercado de trabalho português. Claro que o jornalista não dá esse salto, mas esta é uma convicção tão generalizada que não duvido que notícias deste género acabam, mesmo que inadvertidamente, por confirmar o preconceito de quem acha que Portugal é um “país de doutores” onde o grau académico se trivializou.

Quem está convencido disso pode achar interessante o quadro seguinte, que fornece uma visão mais completa das sortes relativas de cada grau de educação em Portugal. Sim, o salário médio dos licenciados caiu mais do que o do resto da população. Mas, no geral, e salientando que as comparações são sempre relativas, não faz muito sentido dizer que se saíram pior do que os outros.

* Título roubado a Pedro Portugal, que tentou desmontar o mito há mais de 10 anos.
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