Porquê juros tão baixos?

Estreia absoluta de um peso pesado na blogosfera: Ben Bernanke. O primeiro post é excelente: Why are interest rates so low?

If the Fed wants to see full employment of capital and labor resources (which, of course, it does), then its task amounts to using its influence over market interest rates to push those rates toward levels consistent with the equilibrium rate, or—more realistically—its best estimate of the equilibrium rate, which is not directly observable. If the Fed were to try to keep market rates persistently too high, relative to the equilibrium rate, the economy would slow (perhaps falling into recession), because capital investments (and other long-lived purchases, like consumer durables) are unattractive when the cost of borrowing set by the Fed exceeds the potential return on those investments. Similarly, if the Fed were to push market rates too low, below the levels consistent with the equilibrium rate, the economy would eventually overheat, leading to inflation—also an unsustainable and undesirable situation. The bottom line is that the state of the economy, not the Fed, ultimately determines the real rate of return attainable by savers and investors. The Fed influences market rates but not in an unconstrained way; if it seeks a healthy economy, then it must try to push market rates toward levels consistent with the underlying equilibrium rate.

(…)

A similarly confused criticism often heard is that the Fed is somehow distorting financial markets and investment decisions by keeping interest rates “artificially low.” Contrary to what sometimes seems to be alleged, the Fed cannot somehow withdraw and leave interest rates to be determined by “the markets.” The Fed’s actions determine the money supply and thus short-term interest rates; it has no choice but to set the short-term interest rate somewhere. So where should that be? The best strategy for the Fed I can think of is to set rates at a level consistent with the healthy operation of the economy over the medium term, that is, at the (today, low) equilibrium rate. There is absolutely nothing artificial about that! Of course, it’s legitimate to argue about where the equilibrium rate actually is at a given time, a debate that Fed policymakers engage in at their every meeting. But that doesn’t seem to be the source of the criticism.

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4 comments on “Porquê juros tão baixos?

  1. jvgama diz:

    Parece-me que várias vezes a alegação é feita por pessoas que facilmente responderiam à objecção de Bernanke («Contrary to what sometimes seems to be alleged, the Fed cannot somehow withdraw and leave interest rates to be determined by “the markets.” ») com um: claro que pode! É acabar com a reserva federal, voltar ao padrão ouro, etc.. Apresentariam de seguida exemplos históricos.

    Nem é muito difícil encontrar na blogosfera defensores destas opiniões. E são uma fatia não desprezível daqueles que acusam a reserva federal de “distorcer os mercados”.
    Aliás, se a fonte das críticas não for uma diferente opinião sobre onde se encontra o equilíbrio (de acordo com o que diz Bernanke), então deve ser essa mesmo: a alegação de que não deveria existir um Banco Central a procurá-lo.

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    • Acho que quem faz essa crítica não pecebe bem como funciona a coisa. Um banco central não “determina” a taxa de juro através de controlos administrativos: ele altera a quantidade de moeda em circulação – e é através do exercício desse poder que ele encaminha a taxa de juro para um determinado target.

      Esta distinção é mais relevante do que parece. No caso de uma taxa de juro administrativa, é de facto possível eliminar a “interferência no mercado”: basta eliminar a regra de fixação. Mas no outro caso já não: o banco central tem sempre, e necessariamente, de determinar uma certa oferta monetária.

      Em que medida é que o padrão ouro é diferente deste registo? A única diferença é que a taxa de juro deixa de ser ditada pelo banco central e passa a depender da força e empenho dos mineiros. Mas quando se coloca a questão nestes termos acho que o padrão perde uma boa parte do seu apelo (não é particularmente óbvio, à primeira vista, que uma taxa de juro determinada pelo sector de exploração do ouro seja mais ajustada do que uma taxa de juro determinada pela Fed*)

      * normalmente, o argumento é que o padrão ouro limita a expansão monetária. Isso é verdade, mas não tem nada a ver com o argumento da “taxa de juro artificial”. Convém distinguir os dois.

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      • jvgama diz:

        «Acho que quem faz essa crítica não pecebe bem como funciona a coisa. »
        Isso não vou disputar, ehehehe.

        «Mas no outro caso já não: o banco central tem sempre, e necessariamente, de determinar uma certa oferta monetária.»

        Quanto ao que dizes sobre o padrão ouro, não é a mim que tens de convencer.

        Só me pareceu que o argumento de Bernanke não é persuasivo precisamente para aqueles a quem se destina (os tais que, ao invés de terem uma posição divergente sobre “qual o equilíbrio adequado”, põem em causa que um banco central o defina).

        Os teus já aprecem mais orientados nesse sentido, mas como eu não sou um defensor do padrão-ouro, não sei que resposta teriam para te dar.
        Mas não é assim tão difícil encontrá-los por aí, no mundo dos blogues.

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      • “Em que medida é que o padrão ouro é diferente deste registo? A única diferença é que a taxa de juro deixa de ser ditada pelo banco central e passa a depender da força e empenho dos mineiros. Mas quando se coloca a questão nestes termos acho que o padrão perde uma boa parte do seu apelo ”

        Penso que o argumento dos defensores do padrão-ouro é exatamente de que a produção de ouro num dado periodo de tempo é relativamente pequena comparada com a quantidade de ouro total existente (e portanto de que os mineiros terão muito menos influência sobre a inflação e os juros do que têm os banqueiros centrais hoje em dia)

        «normalmente, o argumento é que o padrão ouro limita a expansão monetária. Isso é verdade, mas não tem nada a ver com o argumento da “taxa de juro artificial”. »

        Não? A ideia que tenho é de que muitos dos que consideram as atuais taxas de juro como artificiais fazem o raciocinio “a expansão monetária artificial, permitindo conceder crédito sem ter havido poupança prévia, leva a juros artificialmente baixos”

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