A estratégia grega

A Grécia tem monopolizado as notícias dos últimos dias. Queria escrever sobre a estratégia seguida pelo Governo grego e sobre os constrangimentos da situação, mas não é difícil encontrar quem já o tenha feito, e de forma bem mais sintética e conseguida do que eu seria capaz. Aqui ficam os links.

Negociar do lado grego, por Ricardo Reis:

A quinta e última opção é ser louco, autêntico ou fingido. No Portugal do “agarrem-me senão eu mato-o” sabemos bem que este postura pode ser muito eficaz nas negociações. No famoso jogo em que dois carros avançam na direção um do outro, perdendo quem se desvia primeiro, o louco ganha sempre. O louco tem de estar disposto a sair da União Europeia, confiscar as poupanças dos gregos, e causar o aumento da pobreza. Ele tem de defender políticas que sabemos levam ao desastre pelo menos desde a queda do muro de Berlim. Tem de prometer fortunas quando nada tem no bolso. Quanto mais irresponsáveis as suas posições, e mais catastróficas as suas consequências, mais credível é a sua loucura, e melhores as hipóteses do outro lado ceder para evitar o sofrimento de todos. Se tudo falhar, o louco pode sempre culpar os malvados europeus imperialistas e capitalistas. As próximas semanas vão ser muito interessantes.

O perdão à Alemanha em 1953, por Bruno Faria Lopes:

A conferência de Londres serve para percebermos o óbvio: na dívida, uma reestruturação não pode ser separada do contexto político e dos incentivos dos credores. E, no caso da zona euro, os incentivos de credores e devedores não estão tão alinhados como em 53. Oincentivo comum, a viabilidade da zona euro, não passa por cima do incentivo político alemão e de outros estados credores: evitar um dominó de perdas para os seus contribuintes, causadas por países que são alvo de maus estereótipos. Perdas que podem levantar obstáculos jurídicos e sociais ao euro nesses países. A questão de fundo é, assim, política e exige tempo e liderança política quer nos países devedores (reformas e diplomacia activa para destruir estereótipos), quer nos credores (pedagogia aos eleitores sobre o que têm de aceitar para partilharem uma moeda). Até lá é muito prematuro concluir que “a Europa está a mudar”.

What’s going on with the ECB in Greece?, por Karl Whelan:

But don’t believe for a minute that this is a technocratic thing to do with “the ECB having to follow its rules.” And it has almost nothing to do with Greek government bonds being junk-rated. All of the issues discussed above come down to discretionary decisions by the ECB Governing Council (restrictions on T-bills, waivers on junk-rated government bonds, arbitrary lines-in-the-sand on government guaranteed bonds and the mysterious rules of ELA) and there is plenty of wiggle room for them to allow Greek banks to continue receiving various sources of funding next month in the absence of an EU-IMF program agreement. I fully expect the ECB-as-heavy-hearted-technocrat angle to dominate press coverage of this story this month. That’s a pity because the “ECB in politicised mission creep while helping trigger a bank run” story is more interesting and closer to the truth.

Grexit: it is not debt, it is the future, por Antonio Fatas:

From the perspective of Germany (and other countries that share the same view and economic situation), any agreement with Greece that signals to the market that this would be the solution for any future crisis, would be a disaster. Germany needs a strong commitment from Greece and others that this would be the last time that this happens. But that is unlikely to happen. There could be promises but I cannot imagine how to make those promises credible (…) No, Syriza’s policies are not that radical, crazy or absurd but the negotiation that starts today is between parties that are either scared by what has happened so far or are not willing to be members of a club that cannot commit to not doing this again. I still do not see how they will agree on a model to move forward.

P.S.– Ler também Talking about the new greek crisis, por Paul Krugman

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