Divergências de rendimento desde os anos 50

Os dois gráficos de baixo estão a ser partilhados por Matthew Yglesias e mostram a evolução dos rendimentos durante períodos de expansão económica dividida por decis (top 10% versus restantes 90%). Os dados para a Suécia e EUA são impressionantes.

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A fonte é  a economista Pavlina Tcherneva, que supostamente vai discutir a questão em conferência este fim-de-semana. Infelizmente, só consegui encontrar as imagens ‘em bruto’ na sua própria conta de Twitter, sem remissão para qualquer working-paper ou algo do género.

Agora: apesar de o disparar da desigualdade nas últimas três décadas ser um facto bem estabelecido, a discrepância de ganhos evidenciada por estes gráficos parece-me excessiva. Entre 2000 e 2012, o PIB americano cresceu mais de 20%. É difícil acreditar que durante este período os rendimentos de 90% dos americanos tenham caído, sendo todo o acréscimo do bolo absorvido pelo primeiro decil.

E também é verdade que os dados da desigualdade são complicados de interpretar, e tendem a misturar muita coisa que pode complicar a análise – salários com ganhos de capital, inclusão (ou não) de prestações sociais, problemas de declaração de dados, utilização de fontes diversas, etc. Mexer com estes conceitos sem ter uma ideia bastante sólida do que está por debaixo dos números pode ser uma experiência complicada (como o FT descobriu dolorosamente).

Por essa razão, convém esperar mais algum tempo até que estas imagens sejam um pouco mais escrutinadas. Até lá, fica o post para memória futura.

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3 comments on “Divergências de rendimento desde os anos 50

  1. Harmódio diz:

    Veremos por quanto tempo mais o “american dream” é o suficiente para manter a paz social…

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  2. Obrigado, Miguel. Eu acho que pode ajudar a explicar a questão do ‘rendimento mediano estagnado’*. Não sei até que ponto explica o crescimento da desigualdade que se vê nestes gráficos. As diferenças parecem-me tão grandes que é preciso encontrar efeitos composicionais muito estranhos para que se chegue a algo remotamente parecido com estes perfis.

    * e suspeito que haja mais efeitos estatísticos a contribuir para essa imagem: o enviesamento do IPC no sentido descendente ( http://en.wikipedia.org/wiki/Boskin_Commission ) e o facto de desde os anos 80 haver uma componente não salarial crescente nos pacotes remuneratórios dos trabalhadores americanos (que não aparece no ‘rendimento’ mas que é capturada por outros indicadores, nomeadamente os que vêm das contas nacionais).

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