Na cabeça de Mario Draghi

Balanced budget tax cuts. No meio de tanta informação que saiu da última reunião do BCE, quase ninguém fez uma pergunta óbvia: a que sítio estranho foi Draghi buscar a ideia de que financiar uma descida de impostos através de um corte na despesa (balanced budget) estimularia o crescimento? Kevin O’Rourke dá uma explicação no Irish Economy.

In his press conference yesterday, Mario Draghi said the following:

Within the Stability and Growth Pact, one could do things that are growth-friendly and also would contribute to budget consolidation, and I gave an example of a balanced budget tax cut. Reducing taxes that are especially distortionary, where the short-term multipliers could be higher, and cutting expenditure in the most unproductive parts, so mostly, actually not mostly, entirely, current government expenditure.

There are at least three possible interpretations of this statement.

1. Draghi genuinely thinks that balanced budget multipliers are negative, which I find hard to believe. A balanced budget tax cut under current circumstances would be contractionary, not expansionary; at least, that is what we teach our students.

2. Draghi genuinely thinks that the Eurozone’s problems right now are on the supply side, and that tax cuts will help address these problems. I also find that hard to believe. The major problems facing the Eurozone right now are pretty clearly on the demand side.

3. Despite its nominal independence, the ECB is in fact the most politically constrained of the major central banks. If Draghi is going to push the ECB towards QE, and question the overall fiscal stance of the Eurozone, he has to come out with this sort of stuff from time to time, to appease the Germans.

I find the last of these three explanations entirely plausible, and it helps explain the ECB’s poor performance in the crisis to date. But why should a nominally independent central bank feel that its hand are tied in this way? Ultimately, perhaps, because the Eurozone is not a political union, and because democratic legitimacy resides at the level of the member states. This means that exit from the Eurozone is always an option, even if it is not openly acknowledged.

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4 comments on “Na cabeça de Mario Draghi

  1. Pedro diz:

    Em que realidade alternativa a Europa não tem problemas do lado da procura? E em que descidas de impostos financiadas por cortes (para mais dentro das restrições que ele colocou) não seriam expansionários no longo prazo? Ele não sugeriu balanced budget cuts para resolver problemas na AD mas como um exemplo de uma política fiscal estrutural que pode ser executada sem violar o SGP. Não é assim tão complicado de perceber. Que post surreal.

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  2. “Ele não sugeriu balanced budget cuts para resolver problemas na AD mas como um exemplo de uma política fiscal estrutural que pode ser executada sem violar o SGP.”

    Acho que a referência explícita a impostos “where the short-term multipliers could be higher” não deixa muito espaço para dúvidas em relação ao propósito da sugestão. A ideia é mesmo “resolver problemas na AD”.

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    • Pedro diz:

      Correcção: Em que realidade alternativa a Europa não tem problemas do lado da oferta*?, naturalmente.

      Acho que é mais inteligente analisar a frase no contexto que a rodeia do que fazê-lo descontextualizando 3 palavras. O que ele afirmou como preâmbulo a essa sugestão:

      “During that presentation, I started with monetary policy, I went through fiscal policy, but then I concluded that there is no fiscal or monetary stimulus that will produce any effect without ambitious and important, strong, structural reforms. So in a sense, the key point is to do structural reforms.” (o que sumariza o discurso de Jackson Hole). Se o homem sublinha que está a operar num contexto estrutural/longo-prazo… Dito isto, ele também afirma que “. Research suggests positive second-round effects on business confidence and private investment could also be achieved in the short-term” [ http://fmwww.bc.edu/ec-j/SemS2014/Giavazzi.pdf ]. Ou seja, política fiscal num quadro estrutural/longo-prazo que, se o menu de impostos e despesa a ser cortado for acertado, pode ter efeitos residuais no curto-prazo.

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  3. Pedro,

    Eu acho que a frase está bem contextualizada: surge num momento em que o BCE falha a meta de inflação está abaixo da meta, há riscos (pequenos, mas assumidos pelo próprio BCE) de deflação e em que o output gap é altíssimo. Qual é exactamente a dúvida?

    De resto, confesso que não consigo imaginar muitos contextos em que as palavras ‘multiplicador’ e ‘curto prazo’ estejam (sequer remotamente) ligadas à AD. “Multiplicador de curto prazo” tem um significado bastante bem definido em macroeconomia – a variação do Produto no curto prazo induzida por alterações da política orçamental.

    E o que os livros dizem é que “a variação do Produto no curto prazo” induzida por um balanced budget cuts é contracionista. Os livros podem obviamente estar errados, mas não me parece que Draghi estivesse a identificar uma falha académica nos textbook de economia, citando investigação de ponta – o paper que citou, em particular, certamente que não diz isso. Estava a fazer algo muito diferente:

    “Despite its nominal independence, the ECB is in fact the most politically constrained of the major central banks. If Draghi is going to push the ECB towards QE, and question the overall fiscal stance of the Eurozone, he has to come out with this sort of stuff from time to time, to appease the Germans”

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