Fragmentação financeira – update

Com a descida das taxas de juro da dívida pública dos países periférios, a questão da fragmentação financeira da Zona Euro praticamente deixou de ser tema nos jornais.

Em parte, isto é compreensível. A descrença dos mercados na solvabilidade dos Estados periféricos era a face mais visível deste problema, e para já essa questão parece resolvida. Além do mais, os custos de financiamento dos vários sistemas bancários estão novamente a convergir.

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Mas se a convergência dos custos de financiamento são reais, as suas implicações são menos óbvias. As taxas de juro praticadas junto das empresas portuguesas, que em teoria deveriam depender (também) dos custos de financiamento, praticamente não se mexeram ao longo dos últimos dois anos e meio; ou, pelo menos, caíram tão pouco que o diferencial face à Alemanha continua inalterado nos 2 pontos percentuais.

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A banca está a recompor o seu balanço (seja por imposições regulamentares, seja por pura precaução) e por isso é natural que crie alguma margem de intermediação adicional. Mas esta explicação não é completamente satisfatória. A própria margem de intermediação é determinada pelos constrangimentos de mercado existentes, e a banca não pode pura e simplesmente aumentá-la por decreto.

O assunto já teve algum destaque neste blogue há cerca de um ano. Na altura, sugeri que a contracção da procura interna podia estar a aumentar o risco de crédito das empresas não financeiras, o que compensaria a redução do custo de financiamento da banca e deixar a taxa de juro final inalterada. Mas isto não era mais do um palpite, de coerência interna duvidosa. Tudo somado, parece-me que, um ano depois, o comportamento dos mercados de crédito continua a levantar questões intrigantes.

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2 comments on “Fragmentação financeira – update

  1. Carlos Duarte diz:

    Caro Pedro Romano,

    E porque é que a banca não pode decretar uma margem de intermediação por decreto? A mim parece-me que sim, sob a forma de um oligopólio informal. Uma dica (de quem sente na pele a visita dos bancos 😉 ): veja quais os spreads cobrados em linhas de apoio bonificadas (i.e. co-financiadas pelo Estado/UE). Esses também não mexeram…

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  2. Diogo diz:

    Este artigo é taxativamente escrito por alguém que memorizou a matéria (porcaria) que lhe “ensinaram” na faculdade e que agora despeja aqui sem preconceitos e sem pensar…

    Você não faz ideia nenhuma de como funciona o «sistema financeiro». Você nem sabe o que são os mercados…

    Parabéns pelos gráficos, tão bonitos…

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