Leitura recomendada

O Relatório Anual do Conselho de Administração do Banco de Portugal.

O relatório faz uma análise apurada dos últimos quinze anos da economia portuguesa, disseca o actual período de ajustamento e perspectiva a próxima década, no contexto dos compromissos assumidos no Tratado Orçamental.

Alguns tópicos especialmente importantes cobertos pelo documento: i) a  acumulação de desequilíbrios externos após a criação da moeda única; ii) o problema do fraco crescimento económico de 2000 em diante, e as origens da divergência face ao resto da união monetária; iii) a crise actual como um problema clássico de sudden stops, e não (apenas) um problema de dívida pública; iv) comparação dos vários períodos de ajustamento económico e financeiro; v) o enquadramento externo adverso, condicionantes e resultados do ajustamento económico em curso; vi) uma antecipação das próximas décadas.

Sobre os pontos ii) e v), alguns trechos a reter:

O diferencial de rendimento entre Portugal e a média europeia é fundamentalmente explicado por diferenças no nível de capital humano e na produtividade total de fatores. Estas conclusões confirmam os resultados reportados em (Reis 2011). Nestas duas dimensões, o diferencial de Portugal face à média europeia não se alterou substancialmente nas duas últimas décadas. Em particular, o resultado para o nível relativo de capital humano revela que os progressos realizados em Portugal nas décadas recentes – e refletidos no importante contributo para o crescimento visível no gráfico foram próximos dos observados na média dos países europeus.

(…)

No desenho original do Programa, o cenário macroeconómico apontava para um forte crescimento da procura externa dirigida à economia portuguesa, em linha com a média observada antes da eclosão da crise financeira global. Esta projeção veio a revelar-se infundada. De facto, na sequência da crise financeira, a recuperação das economias desenvolvidas foi claramente mais fraca que a sugerida pela evidência passada e o ritmo de crescimento do comércio a nível global foi também mais mitigado do que o observado na década anterior à crise (…) Deste modo, enquanto no início do Programa se projetava um crescimento real acumulado da procura externa de cerca de 20 por cento no triénio 2011-13, o crescimento observado foi de apenas 5,5 por cento. Esta evolução teve implicações muito significativas nas projeções macroeconómicas. De facto, assumindo a materialização da procura externa considerada inicialmente no Programa, bem como dos ganhos de quota de mercado observados, o modelo macroeconométrico habitualmente utilizado nas projeções do Banco de Portugal sugere que a queda acumulada do PIB nestes três anos seria mitigada em cerca de 3 p.p. e a queda do emprego em cerca de 1.2 p.p.. Neste cenário contrafactual, a correção dos desequilíbrios nas finanças públicas e nas contas externas seria igualmente facilitada. A evolução adversa no enquadramento externo explica assim uma parte substancial dos erros de projeção macroeconómica verificados ao longo do Programa. Outra parte não negligenciável decorreu do esforço adicional de consolidação orçamental.

 

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