Mr. Draghi, do something

Segundo a teoria económica standard, há uma relação directa entre preços e actividade económica. Quando a actividade está acima do seu nível natural, a pressão sobre os preços aumenta e inflação acelera; quando o Produto fica abaixo do seu potencial, a inflação reduz-se.  Esta relação simples tem uma implicação igualmente simples para os bancos centrais. As autoridades monetárias podem dedicar-se apenas a estabilizar a inflação em torno de um determinado valor, porque subjacente a essa estabilização está a manutenção da actividade económica em torno do seu potencial. Os objectivos não são conflituantes.

Esta  regra elegante pode ser, na prática, um pouco mais difícil de interpretar. A ocorrência de choques de oferta, ou ruído induzido por variações súbitas de preços de matérias primas, podem por vezes fazer com que a inflação esteja acima da meta enquanto o Produto está abaixo do potencial. Nestas circunstâncias, e apenas nestas, um mandato de inflation targeting restrito poderá temporariamente ser incompatível com o objectivo de estabilização da actividade económica.

No caso da Europa, não há nenhum sinal de choques de oferta ou pressões de preços por via de commodities. Pelo contrário, todos os indicadores sugerem que o BCE devia estar preocupado em estimular a economia. A  inflação está abaixo da meta e a cair; a inflação expurgada de elementos mais voláteis também; e o Produto Potencial está claramente afastado do seu nível natural. Não há sinais conflituantes.

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Neste contexto, a ausência de acção efectiva do BCE não deixa de ser espantosa. O BCE parece estar disposto a falhar o cumprimento do seu mandato de estabilidade de preços apenas para evitar o recurso a medidas não convencionais. Isto é ainda mais surpreendente tendo em conta que parece haver evidência de uma ligeira (por enquanto, pelo menos) desancoragem das expectativas de inflação a um e dois anos (fonte: World Economic Outlook).

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Sobre esta tema, ler The many hands of Mario Draghi, de Antonio Fatas (e, já agora, dar uma vista de olhos em Deflation versus Lowflation):

Mario Draghi press conference yesterday was yet another exercise of creating confusion about what the ECB intends to do. Maybe what he referred to as an unanimous consensus in the ECB council is not really there or maybe the consensus is simply to keep arguing that there are risks to both sides, that the data is not clear enough, that it can be interpreted in so many ways and in the absence of certainty it is better not to act.

His answers looked like the perfect parody of an economist that will always play it safe by starting with one argument and them arguing that “on the other hand” we could also be doing the opposite.

Here is the best example of this:

“.. my biggest fear is actually to some extent reality, and that is the protracted stagnation, longer than we have in our baseline scenario. Right now, it’s pretty severe, with levels of unemployment that – even though they have stabilised, and we see marginal improvements here and there – are very high. And the longer they persist, the more likely it is that they will become structural, namely much harder to lower through conventional policy measures. So that’s my biggest fear, and that’s why monetary policy is important, but it’s not the only thing. To respond to this fear, one needs a complex package of policies and, as we always stress, structural reforms come first, because many of the problems of the euro area are structural.”

So his biggest fear is that cyclical unemployment turns into structural unemployment, so I guess this means that the ECB is ready to act to ensure that this does not happen. Wait! Not so fast, because his biggest fear is also that monetary policy is important bot not as important as structural reforms that are the first priority. So I guess all the cyclical unemployment turned into structural unemployment so we are too late to act.

And he recognizes that low inflation is bad and it is below the ECB target. But low inflation can also be good

“..but there are also some positive aspects (of low inflation) in the sense that it supports the real disposable income especially of those people who have a fixed nominal income.”

Interesting argument to justify low inflation (should we lower the inflation target?)

And even if inflation is low it is not fully under the control of the ECB

“this is being caused by exogenous factors. In fact, if you see what is the inflation rate in other countries, for example in the United States, where they are much more advanced in their recovery than we are, or in Sweden, you can see that the low inflation contains a high percentage of global factors.”

Yes, inflation in the US is also low but Janet Yellen words and actions are very different from those of Draghi. She does not simply find excuses why inflation is low, she is committed to make it go back to its target.

So I guess that we are left with “protracted stagnation”. We will wait for the April inflation number that Draghi thinks it will be higher than the one in March and if it is not, we will continue feeling very good about the fact that long-term inflation expectations are still anchored. What the ECB is showing these days is that their obsession with inflation is even worse than what we thought. It is hard to imagine how low the inflation data has to get so that they pay some attention to their mandate.

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2 comments on “Mr. Draghi, do something

  1. “As autoridades monetárias podem dedicar-se apenas a estabilizar a inflação ”

    Há aqui uma possível nuance entre “estabilizar a inflação” e “estabilizar os preços” – uma inflação a descer (mas positiva) é uma inflação “desestabilizada” mas preços mais “estabilizados”

    “It is hard to imagine how low the inflation data has to get so that they pay some attention to their mandate.”

    Não sei exatamente o que diz no tratado fundador do BCE (e confesso que não estou com grande vontade de ir à procura…), mas tenho a ideia que o mandato do BCE é definido como garantir a estabilidade dos preços. Levado literalmente, isso pode significar que o objetivo é mesmo 0% de inflação.

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  2. Miguel,

    A interpretação que o próprio BCE faz do conceito de ‘estabilidade de preços’ é uma inflação próxima dos 2%.

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