Resultados contra-intuitivos da consolidação orçamental

Saiu um ‘novo’ estudo da Comissão Europeia (Setembro de 2013) acerca da interacção entre política orçamental e a dívida pública. Em Effects of fiscal consolidation envisaged in the 2013 Stability and Convergence Programmes on public debt dynamics in EU Member States, os economistas da CE estudam o impacto que a trajectória de consolidação orçamental implícita no Pacto de Estabilidade e Crescimento terá na dívida pública dos países europeus relativamente a um cenário de ausência de consolidação orçamental. O objectivo é perceber em que medida é que o nível de dívida pública é afectado por alterações pequenas em parâmetros-chave: revisão dos multiplicadores da política orçamental e mercados financeiros ‘míopes’ (isto é, situações em que as taxas de juro sobem, em vez de descerem, durante a consolidação orçamental).

O resultado, pouco surpreendente para quem tem seguido o tema, é que não é preciso uma combinação demasiado exótica para fazer com que a consolidação orçamental aumente o rácio de dívida pública, em vez de o reduzir. Este efeito é apenas temporário, e rapidamente a dívida pública converge para um valor abaixo do que está implícito no no policy-change scenario. Mas as coisas complicam-se um pouco mais quando os mercados financeiros são míopes – e um forte programa de consolidação orçamental torna-se facilmente auto-destrutivo mesmo a médio prazo.

Based on our simple analytical framework, no significant debt ratio increases derive from fiscal retrenchment when fiscal multipliers are low (around 0.5). However, as indicated in the relevant literature, multipliers can be expected to be larger, and in some cases much larger, in the current crisis context compared to normal times.

This, together with the high debt ratios currently observed in many EU countries,makes short-term increases in the debt ratio following consolidation more likely. In particular,our simulations show that consolidation leads to a debt ratio increase for high values of the multiplier (around 1.5) when financial markets behave “normally” (i.e. yields decrease with fiscal consolidation), and for both intermediate and high values of the multiplier (in the range of 1 to 1.5) when financial markets behave “myopically” (i.e. yields increase withconsolidation).

For high but plausible values of the multipliers, increases in the debt ratio are relatively short-lived, unless financial markets react myopically to consolidation. Despite the possible negative short-term effects, consolidation is needed in many cases as the present debt dynamic could become explosive in absence of policy intervention and further debt increases would raise the likelihood of a self-defeating dynamics in the future.

Based on our simple analytical framework, temporary increases in the debt ratio following consolidation efforts sketched in the SCPs (relative to the counterfactual of no consolidation) are likely for countries expected to experience high fiscal multipliers, like Belgium, Cyprus, France, Greece, Italy, Ireland, Portugal, Slovenia and Spain. For plausible parameter configurations, such consolidation-induced debt increases (relative to baseline) are anyway expected to fade away within maximum three years from the beginning of the consolidation programme, assuming financial markets behave normally. In a number of EU Member States it will anyway take longer (more than one decade in a number of cases) for the debt ratio to fall below its 2012 level.

In terms of size of the consolidation-induced increase in the debt ratio, our results show such an increase to be moderately sized for countries with high multipliers if markets do not behave myopically (only in the case of Greece the peak increase in the debt ratio would be greater than 4.5 p.p. in this case). However, if markets do behave myopically, sizeable increases in the debt ratio cannot be excluded, especially if multipliers stand close to 1.5 or above.

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A ler também: The callenge of debt reduction during fiscal consolidation (FMI), Como seria Portugal sem austeridadeO que o FMI queria de facto dizer.

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2 comments on “Resultados contra-intuitivos da consolidação orçamental

  1. Joao diz:

    Ha alguma indicacao que os mercados se tenham comportado de forma miope tal como definida neste artigo? So li a introducao a correr, mas parece que miopia significa que as taxas de juro aumentam com a consolidacao orcamental. Em Portugal pelo menos tenho ideia que cairam fortemente ao longo de 2012, que foi o ano de maior consolidacao.

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  2. Para o conjunto da Zona Euro, há um paper do Cottarelli (procurei aqui na pasta mas não encontrei, provavelmente foi incluído nalgum capítulo do WEO). Para Portugal, há apenas anecdotal evidence, como as declarações das agências de rating a ‘culpar’ a revisão em baixa do crescimento pelos sucessivos downgrades.

    João, pode enviar-me o seu e-mail para pedro.pereira.romano@gmail.com ? Obrigado

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