Paradoxo de Easterlin revisitado

Uma curiosa reavaliação do Paradoxo de Easterlin, segundo o qual a riqueza não traz felicidade (embora ajude). GDP and life satisfaction: new evidence, no Vox.

Our econometric analysis implies that long-term GDP growth is certainly desirable among poorer countries, but is it a desirable feature among developed countries as well? Recent evidence shows the negative effect of high aspiration can also be rationally predicted by individuals who, nevertheless, may still choose options that may not seem to maximise happiness, but which are compatible with high-income aspirations.

This implies that individuals may still prefer to live in richer countries, even if this would result in a decreased level of life satisfaction. In other words, the fact that individuals aspire to a higher income may not be considered – from an individual perspective – a negative feature of an economy even if this might result in a lower level of reported life satisfaction among the richest countries.

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One comment on “Paradoxo de Easterlin revisitado

  1. Talvez eu não tenha atingido a subtileza das conclusões mas não vejo qualquer paradoxo nos resultados econométricos citados, porque me parecem confirmar o senso comum.

    Easterley no prólogo a “The elusive quest for growth” (esta sim, uma questão complicada à espera de solução) escreve:

    “What is the basic principle of economics?” As a wise elder once told me, “People do what they get paid to do; what they don´t get paid to do, they don´t”. A wonderful book by Steven Landsburg, The Armchair Economist, distills the principle more concisely: “People respond to incentives; all the rest is commentary”.

    O que é que tem uma coisa a ver com outra?
    “Life satisfaction” (podemos chamar-lhe felicidade?) mede-se, como todas as coisas, por comparação. As pessoas comparam-se e comparam o que têm com aquilo que gostariam de ter, em determinado contexto cultural, mas não dispõem de recursos para ter. A televisão, a rádio, as simples conversas, incentivam o consumo. Mas as pessoas compram aquilo que podem comprar (mesmo que seja a crédito, mas essa é outra questão) o que não podem comprar não compram. Respondem a incentivos até aos limites das suas possibilidades, ou interesses, de resposta. A diferença mede o seu défice de felicidade.

    É natural, portanto, que a diferença entre “gostar de ter” e “poder ter” se estreite à medida que aumente a possibilidade de ter, isto é, à medida que aumentem os seus rendimentos disponíveis. Daí que a correlação entre crescimento do rendimento e da felicidade me parece bem dominável pelo senso comum.

    A partir de certo nível de rendimento o incentivo transfere-se do consumo, por exaustão da oferta de consumo ou do interesse do consumidor, para a acumulação de riqueza. E o desejo que alimenta a procura de felicidade esvai-se para dar lugar a um querer sem limites, (quanto mais têm mais querem) alargando de novo a diferença.

    Ora, salvo raras excepções para confirmar a regra, aqueles que atingiram elevados níveis de rendimento não têm nenhum incentivo, ceteris paribus, para irem acumular riqueza para outro lado … onde a felicidade será globalmente maior mas não as oportunidades para eles.

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