PIB 3º Trimestre (agora ao detalhe)

O INE confirmou o crescimento económico de 0,2% no terceiro trimestre. O detalhe das contas permite olhar para a composição do PIB e ter uma visão um pouco mais completa do que o ‘olhar de relance’ da estimativa rápida. Há uma boa notícia e duas notícias assim-assim.

A boa notícia é o comportamento da procura interna. Pela primeira vez desde que a recessão estalou, em 2011, a procura interna cresceu alguma coisa que se visse. O facto de este ser o segundo crescimento consecutivo, e de haver razões plausíveis que justifiquem este movimento, reforça a ideia de que a inversão de tendência poderá ser duradoura. O teste de fogo será o primeiro trimestre de 2014, quando o OE2014 entrar em vigor.

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O PIB apenas cresceu 0,2% porque ao contributo positivo da procura interna de 1,3 pontos percentuais há que deduzir o comportamento da procura externa líquida, que ficou nos -1,1 p.p., devido a uma pequena quedas das exportações (-0,2%) e uma subida bastante substancial das importações (2,6%, um valor que entra com sinal negativo no apuramento do PIB). E aqui há que fazer uma pequena distinção.

O comportamento das exportações pode parecer uma surpresa negativa, mas há que dar um passo atrás e colocar a situação em contexto. As exportações cresceram imenso no segundo trimestre e fixaram-se num nível anormalmente elevado. A título de exemplo, basta que as exportações se mantenham a este nível até ao final do ano para que os valores anuais fiquem mais ou menos em linha com a previsão da Troika para 2013.

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A questão das importações é mais problemática. Em princípio, as importações deveriam seguir de perto o comportamento do PIB, uma vez que manteriam o seu peso quer como elementos da procura interna quer como inputs das exportações. Mas Portugal está numa situação extraordinária; é necessário que as importações vão progressivamente perdendo importância, de forma a que: a) o crescimento da procura interna estimule a produção interna, e não a produção alheia; b) este crescimento não acarrete nova degradação do saldo comercial com o exterior (mais detalhes aqui e aqui).

Os números do terceiro trimestre dão a entender que este ajustamento (chamemos-lhe ‘competitividade em sentido restrito’) não está a ocorrer, e que pelo menos uma parte da melhoria do saldo comercial resulta da contracção da procura interna. A confirmar-se que os agentes económicos já recompuseram a saúde das suas folhas de balanço e estão dispostos a gastar mais, os próximos trimestres permitirão tirar a prova dos nove. Para já, os sinais disponíveis aconselham muita cautela.

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