IS-LM, Mundell Fleming and all that

Os cursos introdutórios de macroeconomia começam tradicionalmente com uma apresentação sucinta dos modelos IS-LM e Mundell Fleming. Ambos assumem algo que os bancos centrais deixaram de fazer há décadas – controlar a oferta monetária (hoje em dia, quase todos usam um inflation target). Esta questão não é irrelevante, e devia ser seriamente reconsiderada pelos autores de manuais, como explica Simon Wren-Lewis em Why introductory macroeconomics should ditch the LM curve e Why we should stop teaching Mundell Fleming. Ver também as reacções ao post.

Lets take a topical issue: the impact of a temporary increase in government spending. We should be immediately worried that TMF makes no distinction between temporary and permanent increases. It says both have no impact on output. So every student learns that fiscal policy is ineffective under flexible exchange rates. For a temporary increase in spending this is incorrect.
The logic of the TMF proposition is usually demonstrated by shifting various curves, but it is in fact trivial. In TMF money demand must equal a fixed money supply. If money demand depends on prices, output and interest rates, and the first is fixed in the short run and the last is tied to world rates, then output cannot change either. This complete crowding is achieved through an appreciation in the real exchange rate.
But why should domestic interest rates equal world interest rates? UIP tells us they need not. A temporary increase in government spending will raise output, which given a fixed money supply will raise interest rates.
This will lead to an appreciation, but the temporary nature of the shock means that the long run exchange rate is unchanged. So the current appreciation implies an expected depreciation, which offsets the additional return offered by higher interest rates. The result is a short run equilibrium where output and domestic interest rates are higher. There is partial crowding out through an appreciation but not full crowding out.
Now you might say what is so great about UIP. But at least UIP is based on something: a simple arbitrage theory. As far as I can see the TMF assumption that domestic and world interest rates are equal has no equivalent foundation.
We only get some crowding out in the experiment above because the money supply is fixed. If interest rates are fixed instead then we get none. With fixed interest rates, UIP implies the current exchange rate is unchanged when government spending increases, so there is no crowding out. We get exactly the same result as with fixed exchange rates – the complete opposite of what TMF suggests.
Now you might plead in mitigation for TMF that at least it gets the impact of a permanent increase in government spending right. I think this is a very weak defence. A permanent increase in government spending, assuming it increases aggregate demand, is crowded out because in a small open economy the real exchange rate equates the demand and supply of domestic output in the long run, which is a more basic result than anything in TMF. [2]
Another weak defence of teaching incorrect theories is that they are simpler than better theories. However it we combine this basic idea about the determination of the medium/long run real exchange rate with UIP, we have a complete theory of the small open economy which is no more complicated than TMF. So why does TMF survive?
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8 comments on “IS-LM, Mundell Fleming and all that

  1. Não percebi nada deste post porque não sou especialista em economia.
    Mas creio que não será caso único de teorias erradas continuarem a ser ensinadas. Se bem entendo, continua-se a ensinar muitas teorias que só são válidas num regime de padrão-ouro, em que a quantidade total de moeda é fixa, mas não são de todo válidas num regime de moeda fiduciária. Para além da teoria do crowding out, segundo a qual, quando um banco empresta dinheiro ao Estado fica sem dinheiro para emprestar aos particulares, teoria essa que, segundo já ouvi dizer, também é falsa na moderna prática bancária (uma vez que o dinheiro emprestado aos Estados não é contabilizado para efeitos de rácios de crédito).
    É possível que eu tenha dito muitos disparates neste comentário, se fôr o caso corrijam-me sff.

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  2. “Se bem entendo, continua-se a ensinar muitas teorias que só são válidas num regime de padrão-ouro, em que a quantidade total de moeda é fixa, mas não são de todo válidas num regime de moeda fiduciária.”

    Pelo menos nos meus anos de faculdade, não aprendi nada que me parecesse só fazer sentido com padrão-ouro.

    “Para além da teoria do crowding out, segundo a qual, quando um banco empresta dinheiro ao Estado fica sem dinheiro para emprestar aos particulares, teoria essa que, segundo já ouvi dizer, também é falsa na moderna prática bancária (uma vez que o dinheiro emprestado aos Estados não é contabilizado para efeitos de rácios de crédito).”

    Em primeiro lugar, a teoria do “crowding out” não é ensinado como algo que seja verdadeiro, pelo menos em termos de equivalencia 1:1 – isto, nas faculdades de economia não se ensina que, em regra, 1 euro de deficit publico é menos 1 euro disponivel para investimento privado; isso é apresentado como algo que só acontece se a economia estiver em pleno emprego (já agora, convém recordar que no debate económico na internet há um grande peso de blogs dominados por correntes económicas “dissidentes”, como os Ladrões de Bicicletas ou O Insurgente, pelo que nesses debates pode-se ficar com uma ideia errado do que é a “ortodoxia”).

    Em segundo lugar, o facto de o dinheiro emprestado aos Estados ser ou não contabilizado para os rácios de crédito pouco afecta a validade ou não do crowding out; se a economia estiver em pleno emprego, e todos os recursos estiverem a ser utilizados, é claro (seja qual for a regra de cálculo dos rácios de crédito) que vai haver crowding out – se todos os recursos estão a ser utilizados, claro que aumentar num lado (como o Estado) vai implicar reduzir no outro; por outro lado, se a economia estiver em recessão, o crowding out será sempre baixo: mesmo que o dinheiro emprestado ao Estado conte pra os rácios de credito, o aumento da taxa de juro provocado por mais procura de empréstimos vai reduzir a quantidade de moeda que os agentes económicos querem ter em caixa, libertando por essa via algum dinheiro para investimentos (ou seja, 1 euro a mais de deficit não implica 1 euro a menos de investimento – se a economia estiver numa situação de “armadilha de liquidez”, o crowding out até será quase zero)

    [Reconheço que esta minha tentativa de explicação saiu muito confusa]

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  3. Luís Lavoura: é mais uma questão pedagógica. O IS-LM assume uma posição do banco central que fazia sentido há algumas décadas mas que hoje caiu em desuso. Possivelmente por inércia, os detalhes do modelo nunca foram actualizados, o que faz com que seja difícil usar o quadro conceptual do IS-LM para perceber a mecânica da economia de hoje em dia. Economistas treinados conseguem ultrapassar este problema ao ‘pensar’ em termos de taxas de juro (e não quantidade de moeda) fixa, mas para quem começa a estudar o IS-LM pode ser enganador.

    Miguel Madeira: essa explicação parece-me mais intuitiva do que qualquer uma das que li por altura da polémica do crowding out. Quando os recursos estão utilizados na plenitude, o crowding out é apenas uma das manifestações da restrição mais básica da economia: a limitação de recursos.

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    • Uma diferença importante entre usar o modelo IS-LM clássico (em que a quantidade de moeda é a variável exógena) e um modelo em que a taxa de juro é a variável exógena é que no primeiro caso o modelo tem implicito que, mais cedo ou mais tarde, a economia vai-se ajustar ao pleno emprego, já que a variação dos preços vai alterar o valor real da moeda, expandido-a (se os preços descerem) ou contraindo-a (se os preços subirem), de forma que o problema limita-se à questão da flexibilidade vs. rigidez dos preços nominais.

      Já num modelo em que a taxa de juro é a variável exógena, não há propriamente um mecanismo que leve ao ajustamento automático da economia – mesmo que os preços baixem, como é que isso vai afectar a economia real? Bem, numa economia aberta, vai afectar aumentando a competitividade externa, mas numa economia largamente fechada isso iria significar uma curva AD quase vertical.

      A isso para não falarmos se assumirmos uma taxa de juro nominal exógena (aí temos um modelo “explosivo”, em que basta a economia estar um pouco acima/abaixo do potencial para fazer subir/descer a inflação, fazendo descer/subir a taxa de juro real e expandindo/contraindo ainda mais a economia).

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      • Tiago diz:

        Nem sempre o comportamento da economia tem de ser explosivo nesse caso Miguel: apenas temos de assegurar que as preferências de aforro das famílias são exactamente consistentes com o nível dessa taxa de juro exógena 😀 (isto é uma discussão teórica, mas diferentes economistas tentam ‘fechar’ o modelo de diferentes maneiras: ou assumem que as taxa de desconto endógena função do consumo, ou que a essa taxa de juro exógena soma um prémio de insolvência, ou que existem custos de ajustamento, ou mercados completos – a Schmitt-Grohe e o Uribe têm um paper de 2003 onde explicam esses truques).

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  4. É um bom ponto, Miguel. Julgo que temos sempre de assumir que há uma função reacção da autoridade monetária, que actua quando a inflação sai fora do ‘target’.

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  5. http://worthwhile.typepad.com/worthwhile_canadian_initi/2013/04/modern-lm-curves-are-vertical.html

    Um artigo que li ontem sobre o assunto, mas com um raciocinio que não me parece fazer grande sentido.

    E não faz sentido porque me parece enfermar do problema que há muitos anos eu ouvi (bem, li) chamar “considerar os bancos centrais como um membro honorário das forças de mercado”.

    Mais exactamente, um modelo IS-LM com a curva LM vertical, assumindo que o BC vai querer atingir um dado “Y” tem um problema – para os governadores, técnicos, etc, do Banco Central decidirem que taxa de juro, emissão de moeda, ou lá o que for, fazerem para atingir um dado “Y”, têm que ter, eles, nos seus gabinetes e/ou computadores, algum modelo (não necessariamente o IS/LM, mas provavelmente algo parecido) em que a taxa de juro e/ou a oferta de moeda sejam exógenos, e que permita estimar “se a taxa de juro i*, o PIB irá ser Y*”.

    O seja, o problema desses modelos tentando “endogeneazar” (eu acho que fiz um erro ortográfico aqui, mas não sei bem qual) o comportamento do Banco Central é que estão a tentar tratar o BC como mais um agente “micro”, comparável às empresas ou às famílias, em vez de o tratarem como um decisor político, comparável ao governo.

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    • Miguel, não tenho a certeza de que as coisas sejam assim tão claras. O Banco Central pode simplesmente fazer uma estimativa do PIB potencial e aumentar/reduzir a taxa de juro à medida que o PIB efectivo se aproxima ou afasta dessa meta. Penso que na prática a maioria dos bancos centrais acaba mesmo por seguir esta abordagem de “wait and see”, um bocado ‘às apalpadelas’.

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