O que é preciso para uma união monetária funcionar

Simon Wren-Lewis escreve hoje acerca da crise da Zona Euro. Em Is a monetary union without fiscal/political union doomed?, o blogger discute um problema que opôs, durante muito tempo, os euroentusiastas aos cépticos americanos: a possibilidade de uma união monetária funcionar sem um respaldo político que permita contrariar choques assimétricos. Apesar de a versão céptica se estar a ganhar apoio quase consensaul, Lewis defende, neste post, que a questão não é assim tão simples.

Yet we should be very cautious about making generalisations from a single observation. It may be worth reminding ourselves about why the Eurozone has not been a fair test of monetary union without fiscal union:

1) The crisis of competitiveness was partly a result of a mistaken belief in the market that default risk on everyone’s debt was similar to German debt, a mistake that is unlikely to occur again in decades. In the years before the recession, no attempt was made to use fiscal policy to offset overheating in periphery countries. (For more on why countercyclical policy is key, see Antonio Fatas here.)

2) In probably only one case, Greece, was there a clear problem of underlying fiscal excess. Yet instead of recognising the need for default early on, the union made a futile attempt to avoid it by replacing private debt with intergovernmental lending, which had disastrous consequences. This major and avoidable error produced the worst moment of the crisis, when Greece was threatened with exit. It continues to impose a disastrous degree of austerity on Greece.

3) The fiscal position of other Eurozone economies became critical because the ECB refused to act as a lender of last resort. If the ECB had introduced its OMT programme two years earlier than it did, the crisis might well have dissipated very quickly. This is hardly wisdom from hindsight, as anyone reading Paul De Grauwe (or indeed this blog) will know. Market reaction always had much more to do with the ECB than the fiscal position of the countries involved, an observation that inspired my first blog post and which research confirms.

4) The current double dip recession in the Eurozone is largely about a collective failure of fiscal and monetary policy. The position of the Eurozone would look significantly better if the ECB acted more like the US Fed, and if Germany and other fiscally untroubled economies were less obsessed with austerity. Neither has much to do with the absence of fiscal union.

To use evidence from one very badly designed test case to condemn the whole concept of  monetary union without political union is far too hasty. It is also potentially very dangerous. We should not forget that monetary union itself was encouraged by a belief that the fixed exchange rate regime that preceded EMU was untenable because of market pressure. (For more on the origins of the Euro see Harold James here.) The lesson of Eurozone failure so far is mainly about bad design, rather than disproof of concept. If this failure leads to a fiscal and monetary union imposed from above on an unwilling electorate, by an elite that played such a big part in creating the current failure, we may go on to find out that a badly conceived political union could be even more disastrous than a badly designed monetary union.

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3 comments on “O que é preciso para uma união monetária funcionar

  1. Há uma coisa que sempre me intrigou com esta teoria das uniões monetárias.
    É que todo e qualquer país é uma união monetária.
    E, se há países que têm uma grande integração fiscal, outros não a têm, e no entanto continuam a ser uniões monetárias.
    E o mesmo se diga dos choques assimétricos: há países que têm economias tão diversificadas, que a qualquer momento podem sofrer choques assimétricos.
    A título de exemplos, a Índia ou o Brasil.
    Não percebo por que motivos se debruçam os economistas apenas sobre a Zona Euro, e não se perguntam por que motivos (não) funciona a união monetária em grandes estados federais como esses.

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  2. “E, se há países que têm uma grande integração fiscal, outros não a têm, e no entanto continuam a ser uniões monetárias.”

    Haverá assim tantos países sem grande integração fiscal (talvez seja mais correcto dizer “integração orçamental”, que é capaz de ser uma melhor tradução de “fiscal union”)? Tirando países que quase não existem como países unitários (como os Emiratos Arabes Unidos), haverá algum país cujo orçamento do governo central represente tão pouco em percentagem do PIB como o da UE?

    Outra diferença adicional (que talvez seja a mais importante) é que a possibilidade de um membro do euro abandonar o euro é mais real do que a de um estado dos EUA, do Brasil ou da India abandonar o dólar/real/rupia, o que gera uma reação de “o que não tem remédio, remediado está”

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    • haverá algum país cujo orçamento do governo central represente tão pouco em percentagem do PIB como o da UE?

      O orçamento da União Europeia é cerca de 1% do PIB da União. A maioria dos países gasta mais do que isso só em Forças Armadas.
      Mas essa despesa não pode facilmente ser mobilizada de um lado para o outro para ajudar uma qualquer parte do país que esteja em dificuldades económicas.
      O que interessa é aquela parte do orçamento que pode ser desviada a favor de uma só região do país. E essa não é muito grande.
      Num país federal, tipicamente as despesas com educação e saúde estão a cargo dos Estados (ou, mais provavelmente, em países pobres, são privadas). As despesas com estradas também o são em grande parte. Para lá das Forças Armadas e dos Negócios Estrangeiros, o governo federal da Índia ou do Brasil só deve gastar em caminhos-de-ferro e autoestradas interestaduais, em investigação científica, e pouco mais.
      Mesmo na Suíça, o governo federal em pouco mais gasta do que nisso.

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