Fact checking à hipótese da inovação

Os americanos inovam, e os nórdicos copiam. Esta é uma ideia muito em voga, que explica por que é que os países do Norte da Europa conseguem taxas de crescimento económico elevadas apesar do grande peso do sector público. Segundo esta perspectiva, estes países limitam-se a parasitar a investigação de ponta que apenas o ‘puro’ capitalismo americano consegue providenciar.

Em Are the Nordic countries really less innovative than the US?, Niku Mattanen, Mika Maliranta e Vesa Virihala contestam esta ideia, argumentando que os factos estão, pura e simplesmente, errados. Os economistas mostram como os dados que estão na base desta hipótese são débeis e propõem uma série de outros indicadores, segundo os quais até sãoos países nórdicos que aparecem melhor na fotografia: % do PIB gasto em I&D, produtividade no sector industrial, densidade de investigadores e taxas de realocação de sectores entre empregos.

In their related working paper, Acemoglu et al. (2012a) use two measures to argue that the US is more innovative than the Nordic countries: the number of US patents and GDP per capita. Neither of these is a very good comparative measure of innovation.

It is quite understandable that US companies dominate patent filings in the US. For an international comparison, the so-called triadic patents – i.e. patents filed for the same invention in the US, EU and Japan – are a more suitable measure. By this indicator, US innovation activity lags behind that of Sweden, Denmark and Finland. The same result obtains when comparing some of the most frequently used indicators of innovation inputs, such as business expenditure on research and development, the share of researchers in total employment, and even the stock of venture capital as a share of GDP (Table 1). In Table 1, we don’t present statistics for Norway and Iceland because, arguably, they are special cases due to their large natural resources.

As Acemoglu et al. (2012a, 2012b) stress, innovation requires risk-taking. In a very innovative economy, one would therefore expect to find intensive job creation and job destruction, as firms that are successful in innovative activities expand rapidly while others are forced to exit the market.

The available data do not suggest that the US economy is unambiguously more dynamic than the Nordic economies (Bassanini and Marianna 2009, OECD 2004). In Denmark, worker reallocation is more intensive, and in Finland almost as intensive as in the US (Table 1). Moreover, time series from the US indicate a marked decline in job and worker flows since the late 1990s (Davis et al. 2012), whereas – at least in Finland – both flows have stayed intensive (Ilmakunnas and Maliranta 2011).

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One comment on “Fact checking à hipótese da inovação

  1. “segundo os quais até sãoos países nórdicos que aparecem melhor na fotografia: % do PIB gasto em I&D, produtividade no sector industrial, densidade de investigadores e taxas de realocação de sectores entre empregos.”

    Eu até gostaria de concordar com essa hipotese, mas (e estou-me a guiar apenas pelo post, sem ter lido o artigo em si), à primeiraz vista esses indicadores não me parecem muito fortes:

    – “% do PIB gasto em I&D” e “densidade de investigadores”: até poderiam ser bons indicadores se não fosse o facto de eu desconfiar que, no mundo real, grande parte do desenvolvimento tecnico é feito, não por pessoas contratadas especificamente para o efeito (e que aparecem nas estatisticas como “investigadores” e como “gastos em I&D”), mas por pessoas que têm outras funções na organização regular da empresa e vão inventando uns “gadgets” nas horas vagas (não faço ideia se esta hipotese é correcta – além disso, o uso das patentes per capita para provar que os EUA são mais inovadores tem um problema similar, por deixar de lado toda a micro-inovação que nunca chega a ser patenteada); além disso, se muita dessa despesa em I&D e desses investigadores estarem ligados ao estado, os pró-americanos podem contra-atacar dizendo que essa despesa será menos produtiva, mesmo que seja maior (como não li o estudo, admito que os autores possam ter feito medidas adicionais para remover esse efeito)

    -“produtividade no sector industrial” e “taxas de realocação de sectores entre empregos” – isso parece-me variáveis que serão sempre altas, quer o pais “inove”, quer “copie”

    Se fosse eu a tentar fazer um estudo sobre isso, o que faria seria primeiro calcular a evolução do “residuo” (a parte do crescimento que não é explicável nem pelo crescimento do capital nem do tempo de trabalho) para cada país ao longo dos anos; depois, fazer um daqueles estudos (que não sei como se fazem mas sei que se fazem) comparando uma variável no momento “t” com outra variável no momento “t-1” para ver se há alguma relação causa-efeito visivel entre a evolução da tecnologia nos EUA e nos paises nórdicos.

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