Multiplicadores por região, medida e estado da economia

O FMI tem mais um estudo acerca dos efeitos da política orçamental no crescimento económico. Fiscal Multipliers and the State of the Economy já é público em versão working paper e promete dar que falar.

A análise dos economistas do Fundo é empírica. Os autores utilizam VAR para medir a reacção do Produto a dois tipos de alterações orçamentais: manipulação dos níveis de despesa ou das taxas de imposto. O que é novo, face anteriores estudos (num campo que tem crescido imenso nos últimos dois anos) é o facto de serem estimados multiplicadores diferenciados para dois tipos de “regime” económico: recessões e expansões.

O estudo tem algumas limitações. Uma delas é o facto de se basear na abordagem típica dos CABB (saldos orçamentais cíclicos) para identificar choques de política orçamental. Esta abordagem, que esteve na origem de um dos principais estudos a concluir que a austeridade pode ser expansionista, foi alvo de críticas duras em investigação posterior, alegadamente por captar choques falsos devido a problemas de endogeneidade. Os autores contornaram parcialmente esta limitação, comparando a identificação de episódiosvia CABB com a identificação permitida pela chamada “abordagem narrativa”, e eliminando os episódios em que a segunda diverge da primeira.

Outra, mais importante, prende-se com a desconsideração de duas importantes variáveis na estimação dos resultados: o nível de dívida pública e a interacção com a política monetária. Estes dois efeitos são de importância crucial; o primeiro, porque uma divida pública alta é um dos factores que pressiona os Governos no sentido da consolidação; o segundo, porque a política monetária atenua os efeitos da mesma consolidação. Na medida em que nenhum destes efeitos é levado em conta, haverá seguramente problemas de endogeneidade nas conclusões. O seu impacto qualitativo é, contudo, mais difícil de aferir.

Ainda assim, as conclusões confirmam largamente as conclusões da investigação mais recente, em particular de uma recensão de estudos que está no prelo. Os autores concluem que a consolidação orçamental tende a ter um efeito negativo no curto prazo, que este efeito (o multiplicador, portanto) é maior no caso de alterações de despesa do que em alterações de impostos, e que o seu impacto não é constante ao longo do ciclo económico: ele é superior em períodos de recessão, e inferior quando a economia funciona no, ou perto do, seu potencial.

De referir, contudo, que estes impactos variam consoante as latitudes. Países diferentes apresentam multiplicadores diferentes, o que dificulta o exercício, sempre complicado, de extrair da análise económica implicações directas ao nível do policymaking.

Our study confirms the state dependency of fiscal multipliers and shows that multipliers, and especially spending multipliers, are significantly larger in downturns than in expansions. Spending multipliers in the United States are found to be significantly above one during downturns.

We find that revenue multipliers are significantly smaller than spending multipliers. This can be explained with basic Keynesian theory, which argues that tax cuts are less potent than spending increases in stimulating the economy since households may save a significant portion of the additional after-tax income. However, a number of earlier studies have shown that expenditure-based fiscal consolidations have a more favorable effect on output than revenue-based consolidations (see, for example, Alesina and Ardagna, 2010). IMF (2010) reaches the same conclusion and notes that this result is partly due to the fact that, on average, central banks lower interest rates more in case of expenditure-based consolidations perhaps because they regard them as longer-lasting).15 When interest rates are already low, the interest rate response becomes less relevant. This may imply that, in the current environment, the Keynesian positive fiscal multiplier prediction prevails.

An important policy implication of the found asymmetries is that if financing allows, gradual fiscal adjustment may in some cases be preferable to a more frontloaded approach. For example, when the output gap is negative, at the time the fiscal shock is implemented, a gradual spending adjustment will have a smaller negative impact on output in the short term than an up-front reduction.

Sem TítuloFigure 5 illustrates this for an average of the G7 economies in the sample (excluding Italy). It shows the impact of a one euro (or the relevant national currency) frontloaded improvement in the fiscal deficit versus a gradual improvement that is spread evenly over two years. When the output gap is negative initially, a more gradual fiscal adjustment hurts growth less in the first two and one-half years of the simulation period. Conversely, when the output gap is initially positive, a more front-loaded shock has a smaller cumulative impact on growth.

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