Sobre austeridade expansionista

Ainda acerca de política orçamental, vale a pena referir Expansionary Austerity: new international evidence. O working paper seminal de três investigadores do FMI é, até à data, a melhor resposta ao trabalho de Alberto Alesina, pioneiro na ideia de ‘austeridade expansionista’, que nunca foi bem acolhida na academia mas inspirou alguns decisores de política a nível europeu.

Pondo as coisas de forma simples, este estudo do FMI aponta um problema metodológico à análise de Alesina: o facto de avaliar os episódios de consolidação orçamental através da variação do saldo cíclico. Em primeiro lugar, esta abordagem não controla para efeitos endógenos, como um boom no mercado accionista, que melhora o saldo orçamental sem contudo representar qualquer austeridade deliberada. Por outo lado, esta abordagem também deixa de fora medidas extraordinárias, como a integração de fundos de pensões privados nas contas públicas.

A alternativa é identificar de forma cuidadosa episódios de política orçamental deliberadamente contraccionista, através da chamada ‘abordagem narrativa’. Esta abordagem consiste em identificar estes períodos através da análise de fontes oficiais, como discursos, Orçamentos, documentação enviada a Bruxelas, etc. A base de dados, que pode ser consultada aqui, resulta numa lista de ‘episódios de austeridade’ muito diferente da que é obtida através dos saldos estruturais.

As conclusões também são, naturalmente, diferentes.

In contrast, estimation results based on fiscal actions identified directly from contemporaneous policy documents provide little support for the expansionary austerity hypothesis (…) Based on the fiscal actions thus identified, our baseline specification implies that a 1 percent of GDP fiscal consolidation reduces real private consumption by 0.75 percent within two years, while real GDP declines by 0.62 percent. The baseline results survive a battery of robustness tests. Our main finding that fiscal consolidation is contractionary holds up in cases where one would most expect fiscal consolidation to raise private domestic demand. In particular, even large spending-based fiscal retrenchments are contractionary, as are fiscal consolidations occurring in economies with a high perceived sovereign default risk (…) We also find that the decline in private consumption and private investment is mitigated by a rise in net exports associated with a fall in the value of the domestic currency. In line with the implications of standard models, this offsetting channel is less potent in economies with pegged exchange rates.

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