De onde vem o corte no défice externo

O INE acabou de divulgar as Contas Nacionais do segundo trimestre (versão detalhada).

No PIB, não há novidades. A economia recua 1,2% face ao trimestre anterior e 3,3% relativamente ao período homólogo. Quanto à composição desta variação, o contributo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é de longe o maior. Este agregado caiu 13% face ao primeiro trimestre, o que resulta num contributo de 2,2 pontos percentuais.

A maior novidade, para mim, foi a evolução das contas externas (balança corrente + balança de rendimentos + balança de transferências + balança de capital). Veja-se o seu comportamento em percentagem do PIB, retirado dos quadros do INE. Nota: no segundo trimestre, o saldo recuou para apenas -0,4% do PIB.

Uma questão importante a responder é: de onde vem o ajustamento? Importações ou exportações? Há duas resposta possíveis, nenhuma delas completamente satisfatória.

O saldo externo é apurado em termos nominais. Se dividirmos este saldo nas suas componentes (exportações, importações, entrada de rendimentos, transferências e capitais e saída de rendimentos, transferências e capitais), as importações até dão um contributo negativo, já que as compras nominais têm vindo a crescer devido ao efeito da subida dos preços. Os contributos relativos calculados sob esta óptica só têm verdadeiro significado se separarmos a variação real da variação nominal de cada componente.

Outra possibilidade é olhar para os valores reais e comparar taxas de variação, com o problema assumido da falta de aditividade (a variação somada das exportações e importações não conduz ao valor verificado da variação do défice externo). Nesta óptica, o principal problema é que os contributos relativos dependem imenso do período base de comparação. Em baixo, mostro isso calculando a variação das exportações e importações entre o segundo trimestre de 2012 e o trimestre na coluna da esquerda.

Leitura: entre o segundo trimestre de 2012 e o terceiro de 2010, as exportações cresceram 8,2% e as importações caíram 12,5%. O contributo destas últimas é, portanto, maior. Mas face ao segundo trimestre de 2009, as exportações aumentam 24,4% e as importações caem apenas 3,4%.

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